segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A nossa vida ou a dos Hare Krishna?


Rodrigo Nunes Bruhns

A mata era muito fechada e difícil mesmo era descer a encosta íngreme. Cada pedaço de terra em que pisávamos era uma incerteza tal que qualquer um poderia escorregar e causar um efeito dominó nos outros. Isso porque fazíamos aquele percurso pela primeira vez... 

Os Hare Krishna fazem esse caminho várias vezes, pois ele leva à minihidrelétrica que abastece a vila onde moram. Eles vivem em completa harmonia com a natureza, mas provavelmente a vida não é fácil lá porque, ao contrário de várias comunidades indígenas (lembrando que eles não são índios, a religião deles é que faz com que vivam na natureza), eles sabem o que há “lá fora” e têm de aprender a conviver com a vida simples.

Voltando do gerador, fomos a uma cachoeira cuja vista e som eram abafados pelas árvores. Pensando bem, a vida deles não é tão ruim assim. Pelo menos não há a poluição de São Paulo e as buzinas incessantes de carros, cujos motoristas estão sempre apressados. Há o canto de pássaros e a calma típica de uma montanha no final de tarde. 

Os Hare Krishna talvez vivam melhor que nós, paulistanos, mas esse é um modelo de vida inatingível, já que ninguém quer largar o conforto e a acessibilidade de São Paulo por um local longe de civilização, mesmo sendo uma opção que poderia mudar a situação do planeta.


No final, voltamos de ônibus para Paraty. Com certeza, qualquer um que conheça as cidades prefere seu estilo de vida, com seu conforto e acessibilidade, ao invés de viver em vilas na mata.  É o que estamos acostumados e isso é difícil de mudar.

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