Realizada pelo Instituto Pró-Livro com apoio da ABRELIVROS (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares), CBL (Câmara Brasileira do Livro) e SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), a terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que avalia o comportamento dos leitores brasileiros, foi lançada em março deste ano.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A nossa vida ou a dos Hare Krishna?
Rodrigo Nunes Bruhns
A mata era muito fechada e difícil mesmo era descer a encosta
íngreme. Cada pedaço de terra em que pisávamos era uma incerteza tal que
qualquer um poderia escorregar e causar um efeito dominó nos outros. Isso
porque fazíamos aquele percurso pela primeira vez...
Os Hare Krishna fazem esse caminho várias vezes, pois ele leva à minihidrelétrica que abastece a vila onde moram. Eles vivem em completa harmonia com a natureza, mas provavelmente a vida não é fácil lá porque, ao contrário de várias comunidades indígenas (lembrando que eles não são índios, a religião deles é que faz com que vivam na natureza), eles sabem o que há “lá fora” e têm de aprender a conviver com a vida simples.
Os Hare Krishna fazem esse caminho várias vezes, pois ele leva à minihidrelétrica que abastece a vila onde moram. Eles vivem em completa harmonia com a natureza, mas provavelmente a vida não é fácil lá porque, ao contrário de várias comunidades indígenas (lembrando que eles não são índios, a religião deles é que faz com que vivam na natureza), eles sabem o que há “lá fora” e têm de aprender a conviver com a vida simples.
Voltando do gerador, fomos a uma cachoeira cuja vista e som eram abafados pelas árvores. Pensando bem, a vida deles não é tão ruim assim. Pelo menos não há a poluição de São Paulo e as buzinas incessantes de carros, cujos motoristas estão sempre apressados. Há o canto de pássaros e a calma típica de uma montanha no final de tarde.
Os Hare Krishna talvez vivam melhor que nós, paulistanos, mas esse é um modelo de vida inatingível, já que ninguém quer largar o conforto e a acessibilidade de São Paulo por um local longe de civilização, mesmo sendo uma opção que poderia mudar a situação do planeta.
No
final, voltamos de ônibus para Paraty. Com certeza, qualquer um que conheça as
cidades prefere seu estilo de vida, com seu conforto e acessibilidade, ao invés
de viver em vilas na mata. É o que
estamos acostumados e isso é difícil de mudar.
Redescobrindo o passado
O dia era 28 de agosto de 2012. A estrada
estava tranquila, e o ônibus andava com a mesma velocidade com que andara todo
o percurso anterior. O monitor já nos tinha avisado de que estávamos chegando,
portanto ficamos todos atentos. Até que começaram a surgir os primeiros barcos,
lá embaixo no mar, e um dos professores proclamou a tão esperada sentença:
“Paraty à vista!”.
Ao longe, foi surgindo a cidadezinha, no
meio de uma paisagem paradisíaca. A visão ao se chegar à baía é de tirar o
fôlego. O mar é de um azul-esverdeado sem igual, cobrindo tudo até o horizonte.
Como que abraçando uma porção de água, se apresentam dois braços de terra:
montes, muito altos e redondos, seguidos de serras circundantes. Estes estão
cobertos de vegetação, muito espessa, com arvoredos dos mais variados tipos e
cores. É exuberante a variedade de vegetação.
Acomodada bem no meio, numa faixa de terra
entre o mar e a serra, está Paraty, com suas casinhas baixas, coloridas, com
algumas poucas igrejas se destacando.
Ao descermos do ônibus, fomos conhecer a
cidade. As ruas são curveadas em certos pontos e todas feitas de pedra, com um
detalhe curioso: são inclinadas de fora para dentro. A razão de terem sido
construídas assim era para que quando a maré subisse, a água do mar ficasse
contida ali e não invadisse as casas. Quase não há calçada e há várias
lamparinas (de estilo antigo, porém elétricas) ao longo das ruas.
As casas são quase todas térreas, com
algumas apresentando andar superior. A fachada e a estrutura dos tempos coloniais
foram mantidas, porém apresentam sinais de constante restauração. Muitas
pareciam ter sido pintadas recentemente, o que dava um ar colorido à cidade.
São todas coladas umas nas outras, fazendo com que seja muito difícil
determinar onde termina uma e começa outra.
A rua não contém árvores. Porém, andando é
possível ver que os quintais de muitas casas são cheios de vegetação, e esta
quase que salta para as ruas. Como não se pode andar de carro, é possível ver
muitas charretes passando e bicicletas estacionadas.
Com certeza é uma viagem inesquecível. Quem
decide visitar Paraty, não se arrepende. Cada esquina da cidade, cada mosaico
de cada fachada chama a atenção, como
que querendo criar vida para contar histórias magníficas do passado aos visitantes.
Além disso, é um ótimo lugar para aventuras. Quem se atreverá a desvendar os
segredos da maçonaria, que a cidade esconde?
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